Investigadores analisam transferências feitas após o desaparecimento e possível abordagem semelhante contra outras pessoas; advogado afirma que há dúvidas sobre a participação do suspeito no crime
A Polícia Civil investiga uma movimentação de R$ 74,4 mil relacionada ao caso Isabel Brilhador, de 65 anos, encontrada morta em Campo Mourão. O valor teria sido transferido em 4 de setembro, quando ela já era considerada desaparecida, para a conta do homem de 32 anos que mantinha um relacionamento com a vítima. A defesa do investigado, por sua vez, afirma que há elementos que precisam ser esclarecidos antes de atribuir a ele a autoria do crime.
Os novos detalhes foram apresentados pelos delegados Nilson Rodrigues, chefe da 16ª Subdivisão Policial, e Luã Mota, delegado adjunto.
Segundo a investigação, após receber os R$ 74,4 mil, o suspeito teria enviado uma mensagem simulando uma comunicação de Isabel. No texto, ela supostamente dizia estar doente, que poderia morrer e que o dinheiro poderia ser utilizado pelo destinatário, inclusive para a troca de uma motocicleta.
A polícia afirma que aproximadamente R$ 20 mil foram movimentados pouco depois do recebimento. Cerca de R$ 10 mil teriam sido enviados para uma pessoa a quem o investigado devia dinheiro, enquanto outra parte teria sido usada para pagamento de cartão de crédito. O destino do restante continua sendo apurado.
Polícia investiga possíveis outras vítimas
Os delegados também afirmaram que surgiram indícios de que o homem teria utilizado abordagem semelhante para obter dinheiro de outras pessoas. Segundo Luã Mota, ele relatava problemas de saúde e dizia precisar comprar ou trocar uma motocicleta para continuar trabalhando.
A Polícia Civil identificou pessoas que teriam recebido pedidos semelhantes, entre elas mulheres mais velhas. A quantidade de possíveis vítimas ainda não foi definida. Depoimentos e movimentações bancárias estão sendo cruzados para verificar se houve outros casos e se eles têm relação com a investigação da morte de Isabel.
Defesa diz que há dúvidas sobre participação
A defesa contesta a participação do investigado no crime e afirma que pontos levantados durante a apuração ainda precisam ser esclarecidos.
Segundo o advogado, o acusado não possui antecedentes criminais e mantinha dois trabalhos. Para a defesa, essas circunstâncias e outros elementos do processo colocam em dúvida a hipótese de que ele tenha cometido o homicídio.
“Não teria motivo para cometer um crime dessa natureza”, declarou o advogado.
Corpo foi encontrado no quintal da vítima
Isabel Brilhador desapareceu em 4 de setembro, em Campo Mourão. Durante as investigações, a Polícia Civil prendeu o homem de 32 anos que mantinha relacionamento com ela.
O corpo da vítima foi posteriormente encontrado enterrado no quintal da própria residência, no Jardim Cidade Nova. Desde então, a investigação passou a analisar a movimentação financeira, as comunicações atribuídas a Isabel e as circunstâncias que antecederam e sucederam o desaparecimento.
O caso continua sob investigação, e as informações levantadas pela Polícia Civil ainda serão confrontadas com os demais elementos do inquérito e com os argumentos apresentados pela defesa.




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