Segundo os delegados Nilson Rodrigues da Silva e Luã Mota, da 16ª Subdivisão Policial (16ª SDP), a investigação aponta que o suspeito teria usado o celular e a conta bancária da vítima após a morte para simular que ela ainda estava viva.
A Polícia Civil concluiu o inquérito que apurava a morte de Isabel e indiciou Anderson Nascimento da Silva, de 31 anos, por feminicídio, ocultação de cadáver, fraude processual e furto mediante fraude. Segundo a Polícia Civil, ele permanece preso.
A investigação aponta que Isabel, de 65 anos, teria morrido entre os dias 28 e 29 de agosto. A família comunicou o desaparecimento à Polícia Civil em 5 de setembro, quando o Grupo de Diligências Especiais (GDE) iniciou as investigações.
Durante as diligências, os policiais identificaram que Anderson mantinha uma relação de afeto com Isabel havia aproximadamente dois anos. Conforme a Polícia Civil, ele tinha acesso à residência da vítima e as conversas analisadas durante o inquérito indicavam uma relação semelhante à de um casal.
Mensagens enviadas após a morte
Segundo a investigação, mesmo depois da morte de Isabel, o celular dela continuou sendo utilizado para enviar mensagens a familiares e amigos.
A Polícia Civil afirma que Anderson se passava pela vítima e dizia que ela estava doente, que faria uma viagem e que precisava de um período para “esparecer a cabeça”. Para os investigadores, as mensagens tinham como objetivo retardar a comunicação do desaparecimento às autoridades.
Em uma dessas conversas, uma fotografia de uma área de mata teria sido enviada à filha de Isabel como se a mulher estivesse viajando.
A investigação, porém, concluiu que a fotografia havia sido originalmente produzida pelo celular do próprio investigado e posteriormente encaminhada pelo telefone da vítima.
Conta bancária teria sido usada para pagar almoço e combustível
Outro ponto levantado pela Polícia Civil foi a movimentação da conta bancária de Isabel depois de sua morte.
No dia 3 de setembro, segundo o inquérito, o celular da vítima teria sido usado para pagar um almoço de Anderson com amigos em um restaurante da região central. Na sequência, ele teria utilizado novamente a conta para abastecer o próprio veículo.
Durante os interrogatórios, Anderson foi questionado sobre como estava com o aparelho da vítima. Conforme a Polícia Civil, ele apresentou versões diferentes sobre a situação.
Uma das versões foi de que Isabel teria emprestado o telefone e que ele o devolveu por volta das 17 horas daquele mesmo dia, após encontrá-la casualmente na rua.
A Polícia Civil considera essa versão falsa porque a investigação aponta que Isabel já estava morta naquele momento. Os investigadores também afirmam que, por volta das 20 horas daquele dia, o celular da vítima estava dentro da residência onde Anderson morava com a mãe.
Suspeita de envenenamento
A Polícia Civil trabalha com uma linha de investigação segundo a qual Isabel pode ter sido envenenada, mas afirma que essa hipótese ainda não pode ser confirmada sem a conclusão dos exames periciais.
Apesar de a causa da morte ainda depender do laudo, a Polícia Civil afirma que os elementos reunidos durante o inquérito apontam Anderson como autor do crime.
Crimes pelos quais foi indiciado
Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil indiciou Anderson Nascimento da Silva por feminicídio, com agravamento relacionado à idade da vítima, que tinha 65 anos, além de ocultação de cadáver, fraude processual e furto mediante fraude.
A Polícia Civil também pediu a conversão da prisão temporária do investigado em prisão preventiva. Ele segue preso enquanto o caso prossegue para análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.




Deixe seu comentário