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Quase 2 milhões de brasileiros trabalham por aplicativos, jornada supera 44 horas semanais

Por Rafael Silvestrin 24.09.2026 às 15:48

Número de trabalhadores ligados a plataformas digitais cresceu 36,8% desde 2022; motoristas são maioria e informalidade permanece elevada

Quase 2 milhões de brasileiros utilizavam plataformas digitais para trabalhar em 2025. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, mostram que 1,96 milhão de pessoas trabalhavam por meio de aplicativos, o equivalente a 1,9% da população ocupada no país.

Desse total, cerca de 1,8 milhão tinham as plataformas como atividade principal e aproximadamente 182 mil utilizavam os aplicativos para complementar a renda. Entre 2022 e 2025, o número de pessoas que tinham esse tipo de trabalho como ocupação principal cresceu 36,8%.

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Os motoristas representam a maior parcela. Em 2025, 58,9% dos trabalhadores de plataformas atuavam no transporte de passageiros, aproximadamente 1,2 milhão de pessoas. Outros 29,9% trabalhavam com serviços de entrega.

Mais horas de trabalho

A pesquisa mostra que quem trabalha por aplicativos enfrenta uma jornada maior. A média foi de 44,7 horas semanais, enquanto os demais trabalhadores do setor privado cumpriam 39,3 horas. A diferença é de 5,4 horas por semana.

Mesmo trabalhando mais, o rendimento mensal ficou praticamente no mesmo nível. Os trabalhadores por aplicativos recebiam, em média, R$ 3.147 por mês no trabalho principal, contra R$ 3.148 dos demais trabalhadores do setor privado.

A diferença fica mais evidente quando considerado o rendimento por hora trabalhada: R$ 16,20 para quem atua por plataformas e R$ 18,40 para os demais.

Informalidade chega a 72% entre motoristas

Outro dado que chama atenção é a informalidade. Entre os motoristas de aplicativo, a taxa chegou a 72,1%, enquanto entre os demais trabalhadores do setor privado ficou em 42,7%.

A contribuição para a Previdência também é menor. Apenas 34% dos trabalhadores por aplicativos contribuíam, diante de 63% entre os demais ocupados do setor privado.

O levantamento também aponta que 80,2% dos motoristas de transporte por aplicativo disseram que o preço das corridas era definido totalmente pela plataforma.

Entre as principais razões apontadas para trabalhar por aplicativos estão a possibilidade de organizar os próprios horários e a dificuldade de encontrar outras oportunidades de trabalho.

Os números são referentes ao terceiro trimestre de 2025 e fazem parte das estatísticas experimentais da PNAD Contínua sobre trabalho por plataformas digitais.

Segundo o IBGE, esses indicadores ainda passam por avaliação e aperfeiçoamento metodológico.

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